Poliéster na moda: o problema é a composição ou o destino da roupa?
Antes que alguém diga: “Lá vem a defensora do poliéster!”, já vou esclarecer: não sou defensora do poliéster. A questão é outra.
O poliéster já está presente na indústria da moda, do fast fashion às grifes de luxo, e continuará sendo utilizado. Não adianta fazer cara feia para a etiqueta e fingir que o problema se resolve por aí.
Afinal, quantas pessoas criticam o poliéster, mas compram uma calça de alfaiataria 100% poliéster na Zara sem sequer questionar a composição ou o preço?
O poliéster tem suas funções e seus impactos ambientais. É uma fibra sintética derivada do petróleo, pode liberar microplásticos durante as lavagens e demora muito para se degradar no ambiente.
E é justamente por isso que o destino dessas roupas importa tanto.
A peça já foi produzida. Se você não quer mais usá-la, por que descartá-la quando ela ainda pode ser vendida, doada, revendida ou repassada?
Não estou dizendo que devemos comprar poliéster sem questionar seus impactos. Estou dizendo que precisamos olhar também para o que fazemos com as roupas que já existem.
A moda circular não elimina todos os problemas ambientais, mas prolonga a vida útil das peças e ajuda a reduzir o desperdício.
Criticar a indústria é válido. Mas a nossa responsabilidade não termina na hora de escolher o que comprar.
Você não precisa gostar do poliéster. Mas, se uma roupa ainda pode ser usada, descartá-la não é a solução. Faça-a circular!
Desapegos das Três Meninas — Moda circular, consumo consciente e novas histórias para vestir.
