E se o poliéster também precisasse circular?

 

Quando pensamos em moda sustentável, é comum procurarmos no brechó peças de algodão, linho, seda e outras fibras naturais.

Mas existe uma conversa que precisamos ter sobre uma fibra presente em uma enorme quantidade de roupas que já existem:

o poliéster.

E não, este não é um texto para dizer que o poliéster é sustentável.

Não é.

Mas talvez estejamos olhando para a questão pelo ângulo errado.

 

O PROBLEMA NÃO É O POLIÉSTER. É O DESCARTE.

Você já parou para pensar no que acontece com uma roupa de poliéster depois que ela deixa de ser usada?

O poliéster é uma fibra sintética, resistente e durável. Quando descartado de forma inadequada, pode permanecer no ambiente por muitas décadas antes de se degradar.

E esse é justamente o ponto.

Uma fibra que pode permanecer por tanto tempo no ambiente não deveria ser transformada em lixo simplesmente porque deixou de servir para a primeira pessoa que a comprou.

E queimá-la também não é uma solução.

A queima inadequada de materiais sintéticos pode liberar poluentes e, em áreas de descarte, contribuir para incêndios e outros riscos ambientais e à saúde das pessoas que vivem ou trabalham próximas desses locais.

Então, será que a solução é simplesmente dizer:

“Não compre poliéster”?

A questão é muito maior.

 

AS ROUPAS DE POLIÉSTER JÁ EXISTEM.

 

Elas estão nas lojas, nos nossos armários, nos bazares e nos brechós.

Muitas vezes, o poliéster sequer aparece sozinho: ele pode estar misturado a outras fibras na composição de uma peça.

Por isso, simplesmente dizer ao consumidor para não comprar poliéster não resolve o problema das milhões de peças que já foram produzidas.

Precisamos, sim, discutir a responsabilidade da indústria.

Precisamos produzir melhor, produzir menos, repensar materiais, processos e, principalmente, a velocidade com que novas roupas chegam ao mercado.

Mas essa não é a única parte da história.

Existe algo que nós, consumidores e brechós, podemos fazer com aquilo que já foi produzido:

 

FAZER CIRCULAR.

 

Uma peça de poliéster que ainda está em boas condições pode continuar sendo usada.

Pode passar de uma pessoa para outra.

Pode ser revendida.

Pode ser reparada.

Pode ser reutilizada.

Pode ganhar uma segunda, terceira ou quarta vida.

E é justamente aí que a moda circular se torna tão importante.

Quando uma peça permanece em uso, estamos prolongando sua vida útil e adiando sua transformação em resíduo.

 

E AQUI EXISTE UM PRECONCEITO QUE PRECISAMOS REPENSAR.

 

É muito comum entrar em um brechó procurando algodão, linho e outras fibras naturais, porque associamos automaticamente esses materiais à sustentabilidade.

Mas uma peça de poliéster que já existe também merece ser escolhida, usada e revendida.

Não porque o poliéster seja melhor.

Não porque ele seja sustentável.

Mas porque essa peça já foi produzida.

Se ela ainda tem qualidade, está em boas condições e pode ser usada, descartá-la apenas por sua composição não faz o problema desaparecer.

Pelo contrário: transforma em resíduo algo que ainda poderia continuar circulando.

A roupa mais sustentável, muitas vezes, é aquela que já existe.

Isso vale para o algodão.

Para o linho.

Para a viscose.

E também para o poliéster.

 

O PAPEL DE CADA UM

 

A indústria tem a responsabilidade de repensar a forma como produz.

O consumidor pode repensar a velocidade com que compra e descarta.

E o brechó pode ajudar a manter as roupas que já foram produzidas fora do descarte por mais tempo.

É uma parte da solução.

Não precisamos esperar que todo o sistema da moda mude para começar a fazer alguma coisa.

Podemos começar pelo que já está aqui.

Usar mais.

Comprar com mais consciência.

Repassar.

Revender.

Reutilizar.

Reparar.

Fazer circular.

Porque uma roupa não deveria ter uma vida útil de apenas uma pessoa.

 

🌱 Moda circular também é dar uma segunda, terceira, quarta chance para aquilo que já foi produzido.

Por isso, da próxima vez que você entrar em um brechó, não passe automaticamente por uma peça só porque ela tem poliéster na composição.

Olhe para a peça.

Veja seu estado de conservação.

Avalie sua qualidade, seu caimento, sua durabilidade e, principalmente, se você realmente vai usá-la.

Porque sustentabilidade não está apenas na escolha do material da próxima roupa.

Também está na decisão sobre o que fazemos com as roupas que já existem.

O poliéster não precisa necessariamente virar lixo.

O problema começa quando uma fibra que pode permanecer no ambiente por décadas é transformada em uma roupa de uso curto e descarte rápido.

Por isso, aqui no Desapegos das Três Meninas, acreditamos que circular uma peça de poliéster também faz parte da conversa sobre moda circular.

Não estamos dizendo que o poliéster é sustentável.

Estamos dizendo que não podemos ignorar o problema que já existe.

Podemos prolongar a vida das peças que já foram produzidas.

Podemos evitar o descarte prematuro.

Podemos fazer a roupa continuar cumprindo sua função.

E SIM: ISSO INCLUI O POLIÉSTER.

 

🌱 Moda circular é isso: não ignorar o que já existe. É dar mais tempo de vida a ele.

 

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